Canto de Morte de Gaudêncio 7 Luas

Canto de Morte de Gaudêncio 7 Luas

Poeta Luiz Coronel faz homenagem ao Dia de Finados versando sobre um dos seus principais personagens

Luiz Coronel

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Silêncio, abanem os lenços,

chora o vento em despedida.

Gaudênio, velho Gaudêncio

pulou a cerca da vida.

 

Adaga, atirou no rio,

é mais um peixe de prata.

sete Luas já partiu

com seu poncho cor de mata.

 

Esporas, jogou ao léu,

boleando a imensidão.

Mandou estrela pro céu

quem se deitou nesse chão.

 

Nas mãos, levou sementes,

nada mais ele precisa.

No eucalipto se sente

que Gaudêncio virou brisa.

 

Dormindo em cova rasa,

sem nome ou data nenhuma.

Se um pássaro bater asas

é Gaudêncio envolto em plumas.

 

Quem quer levar oferenda

pra Gaudêncio em noite escura

leve bom trago de venda,

mate amargo e rapadura.

 


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Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895