A volta do público aos estádios

A volta do público aos estádios

"A CBF precisa tomar uma decisão que não desequilibre o campeonato, na medida em que alguns governadores poderão decidir liberar o público nos seus estados e outros não."

Nando Gross

Alguns governadores poderão decidir liberar o público nos seus estados e outros não

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O Brasil começa a debater a volta dos torcedores aos estádios de futebol. O ambiente de emoção que vimos na Eurocopa contagiou a todos, mas infelizmente estamos ainda muito atrasados na imunização dos brasileiros e na comparação com os países europeus. Os jogos da Euro apenas nos comprovam aquilo que está muito claro, que o futebol se torna bem menos atrativo sem a presença da torcida nos estádios.

A vontade de que as coisas voltem ao normal é a ambição de todos os brasileiros, mas desde o início os países que encararam com seriedade a pandemia trataram de adquirir vacinas ainda na metade do ano passado, enquanto o governo brasileiro ignorava ou debochava da gravidade dos fatos. Isto foi decisivo para que hoje estejamos observando diversos países retornando à normalidade nas suas vidas, enquanto aqui no Brasil seguimos ainda muito distantes desta realidade. Temos apenas 16,22% da população brasileira totalmente imunizada, com duas doses ou dose única.

O Brasil ocupa o 67º lugar no ranking global de aplicação de doses da vacina contra Covid-19 na relação a cada 100 habitantes. Entre os países que compõem o G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, o país está em 11º, com 58,03 doses aplicadas a cada 100 habitantes. A Argentina está à frente do Brasil, no 10º lugar, com 60,18 doses aplicadas na mesma proporção.

Diante desses números, me parece altamente precipitado falarmos em retorno do público antes do mês de setembro, quando existe uma projeção maior de pessoas vacinadas. A CBF precisa tomar uma decisão que não desequilibre o campeonato, na medida em que alguns governadores poderão decidir liberar o público nos seus estados e outros não. Por isso, é preciso que a entidade crie uma norma que valha para todos.

A venda de Vinicius Tobias

O Inter está concluindo a venda do lateral Vinicius Tobias ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. O clube ucraniano deve pagar 6 milhões de euros, cerca de R $36,8 milhões, por 80% do passe do atleta. Tobias completa 18 anos em 23 de fevereiro e somente depois disso viajaria para a Europa. Na conjuntura econômica atual, não seria lógico recusar uma oferta deste montante e os dirigentes do clube estão acertadamente confirmando a transação.

Retrocesso

É inadmissível que em pleno 2021 tenhamos um jogo da primeira divisão do futebol brasileiro sem que exista transmissão por televisão em absolutamente nenhum canal, seja aberto ou pago. Isto acontece pela falta de capacidade dos clubes de administrarem os direitos de transmissão da sua principal competição. Os dirigentes não entendem que a negociação isolada retira força e os valores no geral são menores. Podem dois ou três clubes levarem vantagem, mas no geral a qualidade técnica do jogo é baixa e a competição fica cada dia mais desinteressante. 


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