PC chinês, 100 anos de opressão

PC chinês, 100 anos de opressão

Milhares de mortes estão nas mãos do Partido Comunista do país sem liberdade individual

Jurandir Soares

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O Partido Comunista da China realizou ao longo desta semana uma série de festividades para celebrar os 100 anos de sua criação, em 1º de julho de 1921. Na mesma semana, o primeiro cidadão de Hong Kong a ser indiciado pela Lei de Segurança Nacional, que Pequim impôs na península, era levado a julgamento. Demonstração cabal de que o PCC não se dá bem com preceitos democráticos. Ao surgir, o PCC iniciou uma luta para se sobrepor ao governo do Kuomintang, o partido nacionalista que liderara o movimento para o fim do império, o que ocorreu em 1911. Esta luta, que resultou numa guerra civil, contou com o apoio do Partido Comunista da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Em 1949, os comunistas chineses, sob o comando de Mao Tsé-tung, tomaram o poder, expulsando o então governante e líder do Kuomintang, Chiang Kai-shek, para a ilha de Taiwan. É por este motivo que se estabeleceu na ilha um governo que até hoje é apoiado pelo Ocidente. E também por isto que a China não reconhece aquele governo e entende que a ilha é parte de seu território. Trata-a como uma província rebelde.

À posse de Mao seguiu-se a primeira onda de mortes. Os contrarrevolucionários foram alvo de forte repressão, tendo morrido em torno de 5 milhões deles no período de dois anos. Em 1958, Mao lançou a sua campanha “O grande salto para o futuro”. Os camponeses são obrigados a se juntar em gigantescas comunas agrícolas, de até 20 mil famílias cada uma. Siderúrgicas improvisadas com tecnologia rudimentar são instaladas por toda a parte. O “salto” é um grande fracasso que leva à fome e à morte de cerca de 30 milhões de pessoas. Pressionado, Mao lança em 1966 “A grande revolução cultural proletária”. Outro fracasso seguido de mortes.

A situação chinesa só começou a melhorar em 1976, depois da morte de Mao e com a ascensão ao poder de Deng Chiao-ping, responsável pela célebre frase: “Não importa a cor do gato, desde que ele cace o rato”. Era o início de um processo de abertura da economia ao mercado, porém, com a manutenção do sistema político fechado. Tudo sob o controle do PCC. A abertura econômica estimulara manifestações por democracia, as quais foram reprimidas uma a uma. A mais significativa foi a de 1989, na Praça da Paz Celestial, que impulsionou a repressão, com mais 5 mil a 10 mil mortos.

No seu XIV Congresso, em outubro de 1992, o PCC consolidou as reformas de Deng, e a partir daí a economia do país passou a crescer. Primeiro com quinquilharias que aqui no Brasil, por exemplo, inundaram as lojas de 1,99. Depois foram se aprimorando, e hoje o país é um grande player tecnológico mundial em setores como o automotivo ou de telecomunicações. Vide o sistema 5G do qual a Huawey é líder mundial. Tudo, evidentemente, com muita espionagem industrial. Quanto às liberdades individuais, essas seguem inexistindo. E estão sendo eliminadas até mesmo em Hong Kong, província que a China recebeu de volta do Reino Unido, em 1997, com a promessa de manutenção ali por 50 anos das leis britânicas. Como se observa, Xi Jinping está fazendo uma interpretação um tanto quanto distorcida do que vigora na terra de “sua majestade”.

 

 


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