Putin e a recomposição da Rússia

Putin e a recomposição da Rússia

Presidente amplia ações para recolocar o país na posição de potência mundial

Jurandir Soares

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O presidente Vladimir Putin vem agindo com muita decisão para recolocar a Rússia na posição de potência mundial. Algo que foi perdido em 1991, com o fim da União Soviética. Até o ano 2000 o país viveu como um barco à deriva, porém começou a mudar com a ascensão de Putin ao poder. Ele conseguiu recuperar o poder aquisitivo do cidadão e, em consequência, o seu orgulho. Um contingente significativo emergiu da pobreza para a classe média. Só que o avanço na economia foi sendo acompanhado por uma regressão na liberdade política, que o país havia adquirido ao fim do comunismo. Nesta quarta-feira, por exemplo, os senadores aprovaram por ampla maioria uma lei que proíbe qualquer pessoa considerada extremista de disputar eleições no país. Lógico que este é um conceito muito amplo e depende de interpretação. Opositores do governo podem ser enquadrados como tal. Mas com a recuperação econômica, Putin vai em frente. Até porque a população russa não tem tradição de democracia, pois, ao longo dos últimos séculos, viveu sob a força dos czares ou a dos soviéticos.

Esta mesma ação truculenta Putin procura impor na região outrora formada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Depois de ver a maior parte dessas repúblicas ir para o âmbito de influência do Ocidente, passou a usar a força das armas para impedir as demais a seguir o mesmo caminho. Já foi assim na Chechênia e Georgia. Mais recentemente, isto foi feito com a Ucrânia, de quem foi arrancada a província da Crimeia. E agora Putin age para dar respaldo a outro parceiro que pensa como ele: o ditador da Belarus, Alexander Lukashenko. Este que vem se reelegendo em eleições fraudulentas, que é objeto de grande revolta por parte da população e que chegou a forçar o pouso em Minsk de um avião de carreira para prender um jornalista opositor. Pois Putin recebeu Lukashenko no último fim de semana de maio, na estância de Sochi, no Mar Negro. Afinal, Lukashenko é o último aliado de Putin na área da ex-URSS. E, por isto, é importante mantê-lo ao seu lado. 

No âmbito externo, Putin vai ampliando as ações. O país já se tornou o maior fornecedor de armas para a Ásia, está em franca recuperação de sua frota marítima e a duas semanas de um encontro com o norte-americano Joe Biden. Putin anunciou que a Rússia irá construir 20 novas bases militares perto de suas fronteiras europeias, visando conter o que chama de crescente ameaça da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos. Enquanto isto, Putin mantém na fronteira com a Ucrânia um exército de 100 mil homens para dissuadir o governo ucraniano de invadir a área de seu próprio território que está dominada por rebeldes pró-Rússia. Ao mesmo tempo, Putin declara para Lukashenko que se ele for retirado do governo, usará da força para recolocá-lo no cargo. E para completar, Putin usa aquela teoria de que “o inimigo de meu inimigo tem que ser meu amigo”. Com todas as diferenças existentes, busca uma aproximação com a China de Xi Jinping, cogitando inclusive manobras militares conjuntas. É sob este cenário que se dará o encontro entre Putin e Biden, no próximo dia 16, em Genebra.


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