A duração do cessar-fogo

A duração do cessar-fogo

Confluência de acontecimentos precisa acontecer para vingar uma negociação na Faixa de Gaza

Jurandir Soares

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Depois de mais uma confrontação entre Israel e o Hamas, a pergunta recorrente é sobre quanto tempo irá durar a trégua que foi acertada. Afinal, os dois lados já travaram quatro guerras desde que o grupo fundamentalista islâmico se estabeleceu na Faixa de Gaza. Depois do recente conflito, restam três alternativas sobre o futuro do Hamas. Em primeiro lugar, é preciso levar em conta as informações do Exército israelense, as quais dão conta de que 60% da liderança do Hamas foram exterminadas. Diante disto, restam três alternativas. A primeira, o grupo se reestrutura e surgem novas lideranças no lugar das que foram eliminadas, mantendo os mesmos objetivos, tal qual acontece com o narcotráfico. A segunda, assumem líderes mais moderados, sem intenção de levar o enfrentamento adiante, em vista dos estragos materiais e em vidas humanas que o mesmo proporciona. A terceira, o Fatah, a organização moderada estabelecida na Cisjordânia, aproveita o enfraquecimento do Hamas e assume o controle da região. Sufoca a organização terrorista e passa a dar as cartas entre os palestinos.

Bem, diante desta terceira alternativa se poderia pensar em ser levada adiante a missão a que se propôs desenvolver no Oriente Médio o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken. Ou seja, a retomada das negociações com vistas à formação de dois estados. O de Israel, já existente, e o da Palestina, a ser formado nas áreas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. No entanto, não basta que a terceira opção prevaleça na Faixa de Gaza sem que haja um consenso entre representantes israelenses e palestinos. E hoje, tirando de fora o Hamas, temos basicamente dois entraves nessas negociações: Jerusalém e os assentamentos judaicos em áreas da Cisjordânia. Fatores que têm afastado das negociações a Autoridade Nacional Palestina, presidida por Mahmoud Abbas, membro do Fatah. Quanto à Jerusalém, não se vislumbra a mínima perspectiva de uma divisão da cidade como querem os palestinos. Já quanto aos assentamentos, embora o governo de Benyamin Netanyahu insista na sua manutenção, buscando a teoria do uti possidetis, ou seja, da posse pelo uso, poderiam ainda ser alvo de negociação. O que dependeria de uma mudança do ponto de vista do atual governo ou de uma troca de comando entre os israelenses. Assim como mudança de posicionamento quanto à Jerusalém que teriam que ter os palestinos.

Diante disto tudo, vê-se quanta confluência de acontecimentos precisa acontecer para que se possa levar adiante uma negociação com vista aos dois Estados, conforme passou a defender o governo Joe Biden. E, em não acontecendo a terceira alternativa para Gaza e, sim, a primeira. É de se esperar que a trégua dure bem menos do que os sete anos que durou a anterior.

 


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