Novos ventos, novas vacinas, nova fase

Novos ventos, novas vacinas, nova fase

Se o ritmo for mantido, na metade de agosto teremos toda a população adulta (18 anos ou mais) com ao menos uma dose da vacina no braço

Guilherme Baumhardt

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No final de abril, o Brasil havia ultrapassado a marca de 40 milhões de doses de vacinas aplicadas. No dia 29 daquele mês, 3001 brasileiros morreram em função da Covid – dados oficiais do Ministério da Saúde. No mesmo dia, escrevi o seguinte, aqui na Coluna: “Uma espécie de janela de oportunidade se abriu para nós. Temos uma previsão que supera 30 milhões de novas doses para maio (...) Se não houver nova cepa ou fato novo similar, temos chances de não viver uma terceira onda. E, se houver, que ela seja menos avassaladora do que foi a segunda. Aguardemos”.

Não retomo o texto da época por capricho ou vaidade, mas para separar a vida real da narrativa do caos. Diferentemente do que previam os torcedores do apocalipse, o mundo não acabou e o Brasil não entrou em colapso. Sim, há muita dor e tristeza, especialmente daqueles que perderam amigos e parentes. Mas enquanto escrevo estas linhas, os dados da Universidade de Oxford apontam que mais de 111 milhões de doses das vacinas existentes já foram aplicadas no Brasil – somando primeira e segunda doses. Muitos talvez não tenham se dado conta, mas, nesta semana, em Porto Alegre, tivemos à disposição quatro diferentes vacinas. Os imunizantes desenvolvidos por AstraZeneca, Pfizer, Janssen e Coronavac estavam, ao mesmo tempo, presentes nos postos de saúde da cidade.

Estamos em velocidade avançada imunizando faixas mais jovens, o que nos permite vislumbrar dias mais tranquilos. Com os resultados obtidos até aqui, abre-se a janela para discutirmos o reforço de imunizante daqueles que receberam a Coronavac – principalmente os chamados grupos de risco, além de médicos, enfermeiros e profissionais da saúde. Apenas a título de exemplo, a capital do Rio Grande do Sul fechou a semana vacinando pessoas com 37 anos. Se o ritmo for mantido, na metade de agosto teremos toda a população adulta (18 anos ou mais) com ao menos uma dose da vacina no braço.

No mundo, apenas China, Estados Unidos e Índia estão à frente do Brasil no total de doses aplicadas. E não ultrapassaremos nenhum deles. Todos têm população maior do que a nossa, além de serem grandes produtores de vacinas. Se a Pfizer honrar o primeiro contrato firmado, teremos 100 milhões de vacinas em território brasileiro até o final de setembro (somando o que já chegou e o que ainda está por vir). No segundo contrato, estão previstas mais 100 milhões de doses até o final do ano. Isso sem contar nas doses fabricadas por Fiocruz e Instituto Butantan, com capacidade de produção que supera 5 milhões de imunizantes por semana em cada uma das fábricas. Além disso, uma nova doação (provavelmente da Janssen) feita pelos Estados Unidos deve desembarcar em breve no Brasil. Para completar, existem ainda os carregamentos do consórcio mundial Covaxin.

O cenário hoje ainda está longe do desejado, mas temos sinais que podem ser tranquilizadores. Assistimos a uma redução no número de mortes diárias. Os mais de 3 mil óbitos registrados no dia 29 de abril não se repetiram. No dia 7 de julho foram 1648 mortes, ainda uma soma elevada, mas distante dos nossos dias mais difíceis.
A pandemia provocou muita dor e tristeza. Colocou à prova nossa estrutura de saúde e desafiou profissionais a encontrarem energias onde eles jamais imaginavam existir. Além de tudo isso, havia também a torcida do caos e os defensores do “quanto pior, melhor”. Para estes, se nenhum fato novo surgir, as próximas semanas talvez representem uma grande frustração. Que bom para nós.

Voto auditável I

Recebi algumas mensagens de leitores a respeito da coluna da última quinta-feira e a importância de tornarmos o nosso processo eleitoral mais seguro. Alguns, obviamente, me xingando. Nesse caso, dou apenas risada. Outros com argumentos interessantes. Mas a maioria com dúvidas sobre como funcionaria a urna eletrônica, existindo também a possibilidade de voto impresso, conjugada com o equipamento utilizado atualmente.

Voto auditável II

É preciso frisar que o eleitor não sai com um comprovante do voto. Assim como hoje não podemos (ou não deveríamos) ingressar na cabine com o telefone celular, para evitar fotos e vídeos, no caso do voto auditável teríamos um segundo registro da preferência do eleitor. Existe o eletrônico e existiria outro, físico, em papel, que cairia em uma urna lacrada, acoplada ao equipamento hoje existente. Existem também os defensores da chamada folha óptica, tal qual a existente nas apostas da loteria federal ou em concursos públicos, sistema bastante utilizado em alguns Estados norte-americanos. Neste caso, abandonaríamos totalmente os equipamentos existentes hoje.


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