Imagem de buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea é registrada pela primeira vez

Imagem de buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea é registrada pela primeira vez

Figura foi obtida pela Colaboração Event Horizon Telescope

Correio do Povo e AFP

Imagem de buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea é registrada pela primeira vez

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Astrônomos divulgaram, nesta quinta, pela primeira vez a imagem de um buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, chamado de Sagitário A*. A figura foi apresentada em coletivas simultâneas em todo o mundo, o que inclui o Observatório Europeu do Sul, localizado na Alemanha. 

De acordo com os especialistas, a imagem forneceu evidências importantes de que o objeto é realmente um buraco negro e pistas de como funciona. A crença é de que existam no Centro da maioria das galáxias. Conforme o Observatório, a imagem foi criada por uma equipe internacional de pesquisadores, chamada de Colaboração Event Horizon Telescope (EHT). O grupo conseguiu a figura a partir de observações obtidas por uma rede mundial de radiotelescópios. 

A imagem é similar a do gigantesco buraco negro da galáxia distante M87, muito maior que a nossa, e que o EHT divulgou em 2019. Segundo o Observatório, o gás brilhante no entorno do buraco negro é inconfundível e tem o formato de anel. Na avaliação dos astrônomos, o buraco negro é quatro milhões de vezes mais massivo que o sol. 

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Cientista do projeto EHT, Geoffrey Bower comentou que a imagem concorda com as previsões de Albert Einstein. “Ficamos surpresos ao ver como o tamanho do anel que observamos está tão de acordo com as previsões da Teoria da Relatividade Geral de Einstein”, disse ele, que atua no Instituto de Astronomia e Astrofísica da Academia Sínica, em Taipei. “Estas observações sem precedentes aumentaram o nosso conhecimento do que acontece mesmo no centro da nossa Galáxia e nos dão novas pistas sobre como é que estes buracos negros gigantes interagem com o meio que os rodeia.” 

O buraco negro está a uma distância de cerca de 27 mil anos-luz da Terra. Sua existência era suspeita desde 1974, quando uma fonte de rádio incomum foi detectada no centro da galáxia. Na década de 1990, vários astrofísicos confirmaram a presença de um objeto compacto supermassivo naquele local, o que rendeu um Prêmio Nobel de Física em 2020. A imagem que foi revelada nesta quinta-feira representa a primeira prova visual do objeto.

Horas de observação, anos de cálculos

O EHT é uma rede internacional de oito observatórios radioastronômicos, incluindo um localizado em Sierra Nevada (Espanha) e outro no deserto de Atacama (Chile). Em 2019, a equipe conseguiu a imagem histórica do buraco negro supermassivo de M87, equivalente a seis bilhões de massas solares e localizado a 55 milhões de anos-luz de distância.

O Sgr A+ representa, portanto, um "peso-pena" em comparação. "Temos dois tipos completamente diferentes de galáxias e duas massas muito diferentes de buracos negros, mas quando você examina suas bordas, esses buracos parecem notavelmente semelhantes", disse Sera Markoff, co-presidente do conselho de ciência do EHT, em um comunicado que acompanha o anúncio. "Isso prova que a (Teoria da) relatividade geral se aplica" em ambos os casos, acrescentou.

A imagem apresentada é o resultado de várias horas de observação realizadas essencialmente em 2017, além de cinco anos de cálculos e simulações realizados por mais de 300 pesquisadores de 80 institutos. A imagem foi muito mais difícil de obter do que a da galáxia M87*, porque o buraco negro no centro da Via Láctea é muito menor e porque há nuvens de poeira e gases que se estendem por milhares de anos-luz e o ocultam.

O gás que o envolve precisa apenas de 12 minutos para dar a volta nesse objeto galáctico, quase à velocidade da luz, enquanto no caso do M87* leva duas semanas. Isso significa que a luminosidade e a configuração do gás mudaram muito rapidamente durante a observação. "É como se você quisesse tirar uma foto nítida de um cachorro que quer pegar seu rabo", comentou Chi-Kwan Chan, cientista do EHT.

As duas imagens que os cientistas agora têm, e sua comparação, permitirão o estudo detalhado do comportamento da matéria em condições extremas, com plasma a "bilhões de graus, poderosas correntes magnéticas e matéria que circula a uma velocidade próxima à da luz", explicou à AFP o professor Heino Falcke, ex-diretor do conselho científico do EHT que produziu a imagem do M87*. Tais condições adversas permitirão explorar fenômenos como as deformações do espaço-tempo perto de um objeto supermassivo, previstas na teoria da relatividade geral que Albert Einstein formulou em 1915.

 


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