Três astronautas chineses retornaram, nesta sexta-feira, à Terra após um período recorde de três meses a bordo da estação espacial do país, que está em construção. Os três homens decolaram em 17 de junho do deserto de Gobi, noroeste da China. A missão Shenzhou-12 foi a mais longa do país no espaço.
Com o auxílio de paraquedas, a cápsula pousou nesta sexta-feira às 13H35 (2H35 de Brasília) no deserto de Gobi, segundo imagens exibidas pelo canal estatal CCTV, que informou que os tripulantes estavam em boas condições de saúde. A missão representa uma nova etapa no ambicioso programa espacial chinês, que já possui sondas na Lua e em Marte e prevê o envio de astronautas à Lua até 2030.
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A CCTV exibiu ao vivo o retorno dos três homens, com direito a imagens de uma câmera a bordo da cápsula que mostrou o voo em grande velocidade sobre o deserto.
"É muito bom estar de volta", declarou ao canal estatal CCTV o astronauta Tang Hongbo, de 45 anos, pouco depois de sair da cápsula. "Pai, mãe, estou de volta! Estou com boa saúde e de bom humor", completou Hongbo, enquanto os companheiros de tripulação mais velhos, Nie Haisheng e Liu Boming, demonstravam um pouco mais de cansaço.
Huang Weifen, alto funcionário do programa espacial, afirmou que os três entraram em quarentena. "A medida foi adotada para protegê-los, não pela Covid-19, e sim porque a imunidade deles está menor por sua longa estada no espaço", disse Weifen.
Êxito total
A CMSA celebrou o "êxito total" da missão, que representa uma nova etapa no ambicioso programa espacial chinês, que já possui sondas na Lua e em Marte e prevê o envio de astronautas à Lua até 2030.
"A missão Shenzhou-12 alcançou o objetivo de ativar a nova estação e colocá-la em funcionamento", declarou à AFP Jonathan McDowell, astrônomo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos Estados Unidos. "Isto abre o caminho para futuras missões regulares na estação. Foi muito importante e realmente primordial alcançar o sucesso no início", destacou Chen Lan, analista do site GoTaikonauts.com, especializado no programa espacial chinês.
A CCTV exibiu ao vivo o retorno dos três homens, com direito a imagens de uma câmera a bordo da cápsula que mostrou o voo em grande velocidade sobre o deserto.
A bordo da Tianhe ("Heavenly Harmony"), o único dos três módulos da estação espacial que já está no espaço, os astronautas Nie Haisheng, Liu Boming e Tang Hongbo desempenharam várias tarefas.
Uma vez concluída, a estação Tiangong (Palácio celestial) terá dimensões similares a da antiga estação soviética Mir (1986-2001) e deve ter uma vida útil de pelo menos 10 anos, segundo a agência espacial chinesa.
Rivalidade China-EUA
A ambição da China de construir uma estação foi estimulada pela recusa dos Estados Unidos de dar acesso ao país à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), uma colaboração entre EUA, Rússia, Canadá, Europa e Japão. A Shenzhou-12 é a primeira missão chinesa em quase cinco anos e uma questão de prestígio para o Partido Comunista, que celebra o centenário este ano. Mas, os chineses estão no mesmo nível dos americanos?
"Embora a China esteja à frente da Europa em termos de voos espaciais tripulados, ainda há brechas a respeito dos Estados Unidos e estas vão demorar mais de uma década, ou inclusive mais, para serem superadas", opina Chen Lan.
Ele aponta a vantagem dos Estados Unidos em tecnologia e inclusive a redução de custos, com o uso atual de lançadores reutilizáveis para chegar à ISS. "Mas o principal avanço americano reside na experiência", aponta McDowell. "Os astronautas chineses, por exemplo, fizeram (durante esta missão) duas saídas espaciais. Está longe das centenas que acontecem com a ISS. Este número faz a diferença", afirma Chen Lan.
A missão Shenzhou-12 foi a terceira das 11 que serão necessárias para a construção da estação espacial, entre 2021 e 2022. O próximo lançamento, da nave espacial Tianzhou-3, que transportará apenas equipamentos, acontecerá nos próximos dias, segundo as autoridades. Os sites especializados afirmam que ocorrerá na segunda-feira.