Eventos culturais, música e turismo

Eventos culturais, música e turismo

Por Abdon Barretto Filho*

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Os eventos culturais englobam as manifestações temporárias, enquadradas ou não na definição do patrimônio histórico e cultural, composto de bens materiais e imateriais que expressam ou revelam a memória e a identidade das populações e comunidades. Incluem-se nesta categoria os eventos religiosos, musicais, de dança, de teatro, de cinema, gastronômicos, exposições de artes, artesanatos, entre outros. Alguns são capazes de atraírem visitantes.

Logo, os eventos culturais, devidamente planejados, organizados, dirigidos e controlados, podem contribuir para o desenvolvimento do turismo  no núcleo receptor. Nos casos específicos dos eventos musicais, as possibilidades são infinitas porque podem incluir apresentações de cantores e instrumentistas, através de audiências privadas ou públicas que envolvem produções e distribuições em escala mundial, facilitadas pela rede mundial dos computadores. De uma maneira geral, qualquer ser humano pode ter  pelo menos uma música para recordar bons momentos. Pode ter sido ouvida nos meios de comunicação e/ou durante um show musical.

Entretanto, existem músicas que estão vinculadas aos países, províncias, estados, regiões que são impactadas e impactam na demanda turística e influenciam os viajantes. Existem músicas que não saem do pensamento e que podem orientar as viagens. Alguns exemplos: Aquarela do Brasil; Saudades da Bahia; Cidade Maravilhosa; Garota de Ipanema; São Paulo, São Paulo; Sampa; Deu prá ti (Vou para Porto Alegre, Tchau); Porto Alegre é Demais, entre outras. Combinando músicas com imagens das cidades, o cinema e a televisão ampliam os apelos promocionais e divulgam as atratividades dos destinos turísticos. Imaginem quantos milhões de pessoas se emocionam ao chegarem em New York e lembram e ouvem a música do mesmo nome ? A dramacidade da música  Granada Fantasia Espanhola? La vie em rose (A vida em cor-de-rosa) ou Les Moulins de Mon Couer (Os moinhos do meu coração), em Paris? Ou atravessar a faixa de pedestre da Abbey Road em Londres, local do estúdio dos The Beatles? Ou a mansão Graceland, onde o Elvis Presley, o Rei do Rock, viveu, em Memphis(EUA)? Ou Festival de Música Country em Nashville-Tennesee(EUA)?

São atrativos turísticos criados a partir das composições e eventos musicais. No caso do Rio Grande do Sul,  pode-se lembrar uma série de   festivais  musicais nativistas, destacando-se Uruguaiana, com a Califórnia da Canção Nativa, que ocorre desde 1971, considerada patrimônio cultural do Estado, sendo modelo de divulgação da música regional gaúcha. A Tertúlia Nativista de Santa Maria é outro destaque, entre outros. A Música e o Turismo possuem linguagens universais, a ciência já provou que o cérebro humano reage ao ouvir músicas, independentemente do país em que a pessoa nasceu e qual o idioma nativo: a música é realmente uma linguagem universal.

Convém destacar que, de acordo com a International Federation of the Phonographic Industry (IFPI), 96 % dos usuários de internet consomem música licenciada e 95%  dos vídeos mais assistidos no YouTube são vídeos musicais. Logo, ao ouvir uma música  existe a possibilidade do desejo de viajar até aquele destino turístico específico vinculado à sua letra. Existem conexões entre economia, estratégia, marketing, música e o turismo. Será? São reflexões.  Respeitam-se todas as opiniões contrárias. Podem ser úteis. Pensem nisso.

*Economista e Mestre em Comunicação Social


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