A comunicação fluída dos livros e suas energias

A comunicação fluída dos livros e suas energias

Thassia comprou um livro em um sebo, e sentia que precisava contatar a pessoa cujo nome estava escrito na contracapa

Luciana Espíndola / UniRitter

Thassia comprou um livro em um sebo, e sentia que precisava contatar a pessoa cujo nome estava escrito na contracapa

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Em 2003, emprestei quatro livros para um de meus familiares e os exemplares foram compartilhados com amigos dele e, finalmente, extraviados. Era uma coleção de cinco obras do autor Paulo Coelho, mas uma delas permaneceu comigo. Vez ou outra, quando organizava a estante, me deparava com aquele que restou e pensava: Por onde andarão os outros livros da coleção? Lembrava que um deles ainda não havia lido.

Após 18 anos, recebi uma mensagem de uma desconhecida através de uma rede social, e ela me enviou fotos de um dos livros e disse: "Bom dia, tudo bem? Este livro foi seu?". Fiquei surpresa e achei engraçado. Aquele contato respondia algo que, por mera curiosidade, eu gostaria de saber. Os livros partiram para se aventurar e distribuir conhecimentos em outras paragens, mas quais teriam sido os seus destinos?

Ela, que se identificou como Thassia, me contou que adquiriu o livro em um sebo, na praia de Tramandaí. Segundo ela, ao abri-lo se deparou com o meu nome escrito e sentiu que deveria me contatar. É como se o livro emitisse sinais dizendo: "Contate a pessoa que sente a minha falta e diga que estou bem".

Após saber como tudo aconteceu, Thassia queria me devolver o livro. Agradeci e disse que não precisava, pois já havia lido outro exemplar que retirei em uma biblioteca. Fiquei feliz que ele tenha encontrado uma nova leitora que o acolheu com muito amor. Moral da história: perdi meus livros, mas ganhei uma amiga. Este livro cumpriu o seu papel, pois ele viajou e fez pessoas viajarem em cada um dos seus parágrafos. Participou de novos olhares e deve ter ajudado a promover transformações. Tornou momentos mais felizes e mágicos. E seguiu o seu caminho, livre e fluído.

Já parou para pensar na história de cada livro que você lê? Quais trajetos percorreram? Onde e com quem estiveram? Em quais contextos estiveram inseridos? Quantos leitores choraram ou sorriram manuseando suas páginas? Livro é vida. Emprestar e perder livros faz parte da história também. Na verdade, nada nos pertence de fato. Vivemos em um mundo onde tudo nos é emprestado. Da mesma forma que, de certo modo, é tudo nosso.


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