Porto Alegre abraça retorno presencial da Feira do Livro

Porto Alegre abraça retorno presencial da Feira do Livro

A saudade do contato com os livros incentiva leitores a visitar a 67ª edição da Feira, que traz o tema “Para ler um novo mundo”

Valentina Bressan / UFRGS

A saudade do contato com os livros incentiva leitores a visitar a 67ª edição da Feira

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A movimentação intensa de leitores marcou o retorno da Feira do Livro de Porto Alegre à Praça da Alfândega. Após um ano em que as atividades foram realizadas apenas no formato digital, neste mês de novembro a 67ª edição da Feira ocupa novamente o Centro Histórico, em um formato híbrido, com a venda de livros e sessões de autógrafos presenciais e os eventos com autores ainda no modelo on-line.

“A Feira retoma essa tradição que é muito forte em Porto Alegre”, destaca a deputada Luciana Genro, que distribuiu folhetos com a prestação de contas de seu mandato e conversou com quem passava pela Praça na quarta-feira (10). A parlamentar reforçou a importância do retorno ao formato presencial: “É um primeiro passo para que a gente possa fortalecer uma política de valorização da leitura que é fundamental para o desenvolvimento do país”.

O desenvolvimento do valor da leitura também já faz parte da vida de Kiara, de um ano. A mãe, Lára Back, levou a filha para sua primeira visita à Feira do Livro. “Minha intenção já é incentivar o hábito da leitura para ela ter uma visão de mundo mais ampla, e ela adora os livrinhos”, contou. Com a obrigatoriedade do uso de máscaras e a disponibilização de álcool gel, Lára elogia a organização da Feira nesta retomada após o início da pandemia.

A área infantojuvenil também é grande atração para Davi Marques (à esquerda), de 7 anos. Sua mãe, Vitória Marques, conta que o menino frequenta a Feira desde seus dez meses, e gosta muito de estar entre os livros na Praça todos os anos, o que Davi confirma com um animado “com certeza!”.

A felicidade de estar de volta é pauta comum entre os livreiros. Anaí dos Anjos, colaboradora da Arquipélago Editorial, conta que percebe que o público está alegre por poder estar em contato com os livros e que não está economizando na hora de levá-los para casa.

Populares entre os leitores, os saldos são um atrativo para aqueles que estão em busca de ofertas. A estudante universitária Déborah Brasil conta que adora garimpar na Feira. E já encontrou o que procurava: “Comprei o Frankenstein, que eu estava querendo bastante, achei por R$15,00. Na internet estava muito mais caro, então valeu muito a pena, gostei bastante.”

Os primeiros demonstrativos da Feira mostram que, de fato, os leitores não estão poupando em suas visitas às bancas. De acordo com a Câmara Rio-Grandense do Livro, em sua primeira semana, a Feira do Livro já registrou um número de vendas 10% maior do que o de sua última edição presencial, em 2019, levando-se em conta a proporção de bancas de cada edição.

“Nós estamos amando o movimento, o retorno. Eu estava com saudades disso aqui”, confessa Clô Barcellos, editora da Libretos. Em 2020, a casa editorial focou no desenvolvimento do comércio on-line, mas afirma que a Feira presencial é mais chamativa para os leitores. No primeiro final de semana desta edição, ultrapassaram o total de vendas de toda a edição on-line de 2020. A previsão da colaboradora Fernanda Soares é de que, até o final desta Feira, as vendas da Libretos excedam em 15% os números de 2019.

De volta ao seu tradicional endereço debaixo dos floridos jacarandás, as bancas de livros prometem atrair ainda mais leitores até o final desta edição. De máscara no rosto e livro nas mãos, uma coisa é certa: a Feira do Livro retornou para nos ensinar a ler esse novo mundo que vem chegando.


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