Minha obsessão

Minha obsessão

Olhando para a tabela do Brasileiro retomo um velho assunto. Do Brasileiro da Série A, obviamente.

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Confesso: sou um obsessivo. Olhando para a tabela do Brasileiro retomo um velho assunto. Do Brasileiro da Série A, obviamente. 
Não encontro o Grêmio. Que está na Segundona. Vejo o Inter atrás de Avaí, Bragantino, América-MG... Para encontrar o Juventude tenho que ir quase até o rodapé da tabela.
Alguém dirá, com razão, que o campeonato está começando. Pergunto ao mais otimista dos colorados se vê alguma chance de caneco! O mais otimista dos colorados sonha com o G-4. Já o torcedor mais otimista do Juventude não quer cair.
Volto a dizer: quero uma fórmula que imite o Brasil: quanto mais injusta e formulista, melhor! Todos sabem que querer não é poder e que vou ficar querendo. Quero uma fórmula tão injusta quanto à distribuição das cotas da TV, onde os apadrinhados levam uma fortuna o resto as migalhas.
Vários oceanos separam Inter e Grêmio dos preferidos da TV no quesito financeiro. E chamam este disparate de igualdade! Quero uma fórmula de Brasileiro que imite a fórmula da TV na escolha dos jogos transmitidos ao vivo: perversa com a maioria, protetora de Flamengo e Corinthians.
Este Brasileiro é desigual até na distância. Uma das edições foi disputada por seis times paulistas: Corinthians, Santos, Palmeiras, São Paulo, Barueri e Santo André. Enquanto as equipes dos demais estados se esbagaçavam em viagens massacrantes, os de São Paulo faziam turismo doméstico.
O sistema de pontos corridos foi aprovado em dezembro de 2002.
De lá para cá o Inter empilhou títulos no mata-mata, entre eles duas Libertadores, um Mundial/Fifa e uma Sul-Americana.
Com apenas dois clubes grandes, Inter e Grêmio, o Rio Grande do Sul conquistou dez títulos nacionais (Brasileiro e Copa do Brasil) até 2003, média de cinco para cada clube.
Os quatro grandes de São Paulo (Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo) haviam conquistado 17, média de 4,25 por clube; os quatro do Rio (Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo) 15, média de 3,75 e os dois grandes de Minas, Cruzeiro e Atlético, cinco, 2,5 cada.
Na era dos pontos corridos, não faturamos nenhum Brasileiro e lá se vão 19 edições. Mas vimos o Inter cair em 2016 e o Grêmio em 2004 e 2021. Três quedas e nenhum caneco.
Vimos SP levantar dez taças, Ri de Janeiro cinco e Minas Gerais, quatro.
Quando ao advento dos pontos corridos previ que não veremos um gaúcho campeão nos próximos 100 anos com esta fórmula. Faltam 81.
O Grêmio ganhou a Copa do Brasil em 2016, mas não levou o Brasileiro por pontos corridos. Foi tri da Libertadores, mas não levou o Brasileiro. Como bairrista convicto, quero ver outra vez um time gaúcho campeão do Brasileiro.
Continuo querendo a volta do mata-mata.


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