Raízes

Raízes

Alina Souza

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Olho tanto para o céu que, por vezes, esqueço-me das raízes. Está na hora de valorizá-las. São a minha história. A nossa. Por isso, cruzam-se, compõem tessituras, esculturas em meio à terra, estendem-se no compasso do tempo, cada vez mais fortes, firmes, únicas. As folhas secam, os galhos se rompem, mas as raízes permanecem, resistem, drenam, apontam direções. Miramos tanto para o alto enquanto poderíamos atentar para o solo, apreciarmos os valores que nos sustentam em pé. Percebê-los nos matizes das flores, frutos e ramificações. Se nos desprendemos destes valores, desabamos. Vivemos minutos de furor, mas tamanha leveza nos esvazia. Não se trata de relação de dependência, e sim de compreensão do território, domínio do nosso chão. São partes da composição, artérias que transportam substâncias vitais. Silenciosas, as raízes mostram respostas. Matam a sede, preparam-nos para as intempéries. “Chega de olhar para cima”, digo a mim mesma. A sabedoria vem do subterrâneo. Vencemos o caos quanto mais alcançamos profundidade.

Texto e fotos: Alina Souza


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