Dor

Dor

Alina Souza

Familiares de Wagner de Oliveira Lovato, morto espancado em frente a um açougue em Alvorada.

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Sentimentos tristemente abafados viram armas, socos e pontapés, golpes injustificáveis na delicadeza da vida. Que tempos são esses nos quais os seres se mostram intoleráveis às divergências? Carregados de ódio, sobretudo quando algo parece desacatar a percepção de autoridade. Não aceitam “perder” nas discussões e discutem por qualquer coisa. Angustiados, prepotentes, rancorosos. Proclamam-se donos da razão, porém não controlam as veredas emocionais: estouram. Um estouro que dilacera existências. Não lidam com suas feridas e, por isso, ferem. Estamos todos machucados. Não aguentamos as doses diárias de agressão. A fotografia acima fora captada no enterro de Wagner de Oliveira Lovato, vítima da estupidez humana em frente a um açougue em Alvorada. Bastou reclamar do preço da carne para ser espancado até a morte. Mais um caso em que fica nítido o caos psíquico que paira no ar. Dói demais ver uma sociedade enferma. Posso apenas estender o meu afeto. Peço, por favor, que façam o mesmo. Talvez seja o melhor remédio. Façamos da compreensão do espaço do outro a nossa cura. Não somente na seara do indivíduo: o corpo coletivo urge tratamento.


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Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895