Até quando reféns?

Até quando reféns?

Alina Souza

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É nosso direito. Apreciar a cidade sem medo de assaltos, sem culpa de estar exposto(a), sem evitar o vazio e a noite. Um direito que virou sonho, possibilidade remota. Sobretudo quando julgamentos recaem sobre as próprias vítimas. O famoso “estava pedindo para ser assaltado”. Questões do tipo: “quem manda estar parado naquele lugar perigoso?”, “quem manda mexer no celular?”, “quem manda andar de câmera por aí?”. Daqui a pouco vai ter gente indagando “quem manda querer ser feliz?”. Errados não somos nós, apreciadores de paisagens, introspectivos em meio ao cotidiano prático. Julguem os criminosos, as instâncias superiores; julguem tudo, menos o direito de ir e vir. Já sofremos demais com as cercas em torno das casas, não há por que sofrermos também com repreensões de quem deveria estar ao nosso lado. Quando a culpa se detém nas vítimas, aceita-se a situação como natural. E a solução passa a ser evitar certas situações, em uma tentativa inútil de previsibilidade. Claro que aqui não estou incentivando sair às ruas sem preocupações com a violência. Longe disso. Quero apenas pedir que não nos condenem pelo simples fato de ainda desejarmos a liberdade.


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Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895