Em meio a desafios, lideranças femininas ganham vez no mercado de trabalho

Em meio a desafios, lideranças femininas ganham vez no mercado de trabalho

Mesmo com queda no percentual de liderança feminina durante a pandemia, há histórias de mulheres que fazem a diferença

Camila Souza

Aline Eggers Bagatini é a primeira mulher no comando da empresa Bebidas Fruki

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O Dia do Trabalho, celebrado no último domingo, provoca reflexões sobre equidade de gêneros no mercado, principalmente em setores que são costumam ser dominados pela presença masculina. Antes da pandemia de Covid-19, o cenário em busca de igualdade no mercado de trabalho era de avanço no Brasil. O Benchmarking de Capital Humano da PwC, levantamento com empresas que representam 1/3 do PIB brasileiro, mostra que até 2019 houve um crescimento médio de representatividade feminina de 14% ao ano. 

A partir de 2020 e com um cenário de pandemia, a representatividade passou a retroceder na ordem de 12% ao ano – com uma maior queda no percentual de mulheres na liderança: -14%. Isso porque, conforme os indicadores de desligamentos, no período da Covid-19 o público feminino tinha 7% mais chance de pedir demissão e 28% mais chance de ser dispensado pelas empresas. O Women In Work Index, estudo também produzido pela PwC, aponta que as mulheres levarão 33 anos para ter participação igual a dos homens no mercado de trabalho.

Mesmo enfrentando desafios, há histórias de pessoas que fazem a diferença e se tornam lideranças inspiradoras, contribuindo para que cada vez mais o público feminino conquiste seu espaço nas empresas. À frente da Bebidas Fruki, Aline Eggers Bagatini, primeira mulher no comando da empresa com matriz em Lajeado, acredita que as mulheres desenvolvem um papel fundamental para criar ambientes mais acolhedores, criativos e com alta performance. “É muito importante ter foco e não desistir. Saber aonde quer chegar. Eu conquistei muita coisa, mas ainda tenho muito a realizar e aprender”, conta.

Professora dos cursos de Negócios da Fadergs, Carmem Castro destaca que “a mulher tem um estilo mais transformacional”. Contudo, mesmo que ocupem 60% das vagas nas universidades, a porcentagem afunila conforme a carreira progride. No mercado de trabalho e, especialmente em cargos de liderança, predomina a presença masculina. “É uma questão estrutural e cultural. A mulher tem sempre de provar que é melhor e também acaba precisando investir muito do seu tempo em outras coisas, como sua aparência e trabalhos domésticos, perdendo períodos que poderiam ser utilizados para socialização e networking”, exemplifica.

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Outro exemplo de liderança feminina é Natalia Maier Cocco, 28 anos, supervisora de produção da Fruki. Ela atua diretamente na fábrica, local que tradicionalmente tem mais homens operando. Há três meses, assumiu a função e coordena uma equipe de 15 pessoas. Antes, atuou no ramo cervejeiro, também um ambiente com poucas mulheres. “Muita coisa vem mudando e as mulheres estão, cada vez mais, abraçando as possibilidades. Tenho aprendido muito e estou gostando bastante desse desafio de operar na produção”, diz.

Segundo o relatório “Mulheres na gestão empresarial: argumentos para uma mudança”, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2019, três entre quatro empresas que promoveram a diversidade de gênero em cargos de direção tiveram aumento de 5% a 20% nos lucros. Cerca de 57% das companhias disseram que a medida ajudou a atrair e a reter talentos, representou melhora na criatividade, inovação e abertura, além de ter beneficiado suas reputações.


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