“Não acredito mais na moda como tendência”, diz Carol Marra

“Não acredito mais na moda como tendência”, diz Carol Marra

Atriz avalia que o universo da moda está mais inclusivo e que as roupas refletem a personalidade das pessoas

Camila Souza

Carol Marra já trabalhou como modelo e produtora de moda

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Quando se fala em moda, é comum que as pessoas logo associem com tendências. Afinal, tem quem ache que “estar na moda” é usar as roupas famosas do momento. Por outro lado, há quem acredite que o melhor é se vestir de acordo com sua personalidade e como se sente bem. Esse é o caso da atriz Carol Marra, de 44 anos. Formada em jornalismo, iniciou sua carreira trabalhando na comunicação, mas não demorou muito para que descobrisse sua vocação em outro segmento.

Carol explica que desde criança gostava de desenhar e já ficava entusiasmada com o mundo artístico. “Tenho uma tia que era costureira, ela tinha um ateliê de noivas e eu ficava fascinada por tudo aquilo. Minha mãe também sempre gostou e se vestia muito bem, eu ficava fascinada pelas roupas dela”, diz. No jornalismo, o foco eram pautas de cultura, comportamento e, principalmente, moda. “Quando tinha semana de moda eu enlouquecia”, lembra. A partir disso, surgiu a vontade de ser figurinista de televisão, até que começou a trabalhar com produção para revistas, área em que atuou por quase 10 anos.

“Um dia eu estava toda montada e fui para uma semana de moda, o Jeff Ares me viu e estava naquela época de modelos andróginos. Assim trilhei o começo do caminho”, conta. Ela foi para Minas Gerais e marcou presença no desfile do Minas Trend. Já no Rio de Janeiro, participou do Fashion Rio, seguindo para a Paris Fashion Week, na França. “Nunca sonhei com essa profissão, fui surfando na onda”, revela Carol.


Carol Marra revela que não segue tendências da moda e que prefere usar o que a faz feliz | Foto: Vira Comunicação / Divulgação / CP

Mesmo de forma despretensiosa, ela deixou seu nome na história da representatividade transexual no mundo da moda. Contudo, a participação em desfiles também trouxe experiências negativas. “Esse meio é onde as pessoas são mais preconceituosas. Passei por muitas situações constrangedoras, já fui tirada da fila de desfile. Acho triste e lamentável”, diz. Carol avalia que as oportunidades dadas para mulheres trans nesse segmento ainda são poucas. “Têm muitas meninas talentosas que poderiam ter muito mais oportunidades e não têm. Acho que ainda estamos longe de um ideal, mas já subimos alguns passos”, destaca.

Trabalhando como modelo, foi convidada para fazer participação na série “Psi”, da HBO, indicada ao Emmy em 2015. Esse foi seu primeiro trabalho no audiovisual. “Lá, eu percebi que queria ser mais que jornalista e produtora, queria ser atriz”, explica. Hoje, ela concilia o trabalho no audiovisual com a paixão pela moda. “A roupa conta sobre quem você é, e através da construção do figurino, você ajuda a compor sua personagem. O figurino é muito importante para contar a história daquela pessoa”, afirma. 

Diferente de quem escolhe usar peças de destaque do momento, a jornalista conta que se veste com o que a faz sentir bem: “Não fico muito dentro de tendências. Se não me valoriza ou não tem nada a ver comigo, não vou usar”. Também destaca que a moda está mais inclusiva, abrangente e serve de inspiração para as pessoas: “Não acredito mais na moda como uma tendência. Você usa aquilo que te deixa feliz”. Mesmo longe das passarelas e conquistando cada vez mais espaço no audiovisual, Carol Marra deve seguir marcando o universo da moda com sua autenticidade.

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