Pesquisa mostra que mais da metade dos jovens negros já mudaram o cabelo para serem mais aceitos

Pesquisa mostra que mais da metade dos jovens negros já mudaram o cabelo para serem mais aceitos

Questões profissionais são apontadas como as mais ocorrentes

Lou Cardoso

Mais da metade dos jovens negros brasileiros já teve que mudar o cabelo para ser mais aceito

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Praticamente metade da população brasileira negra, 49%, diz que já teve que mudar o cabelo em algum momento para ser mais aceita em determinado ambiente. Segundo a pesquisa feita pelo Tudo pra Cabelo, hub de conteúdo de cabelo da Unilever, encomendada para a empresa Opinion Box, no Mês da Consciência Negra, esse número ainda é maior entre os mais jovens, chegando a 53% entre aqueles de 20 a 29 anos de idade.  Por sua vez, 44% pertencentes ao grupo entre 30 e 39 anos fazem o mesmo tipo de afirmação.

De acordo com a pesquisa, realizada com 828 homens e mulheres que se autodeclaram negros, em todas as regiões brasileiras, o motivo principal apontado para a mudança de cabelo tem cunho profissional. Por exemplo, 35% dizem que estavam procurando emprego e sentiram que precisavam mudar para serem aceitos nas empresas. Logo em seguida, surge uma razão mais social, com 32% dizendo que comentários feitos por amigos, colegas ou outras pessoas levaram a uma mudança no visual. 

Segundo a coordenadora de marketing digital, Liana Bonifácio, desde criança, ela sempre gostou de ter cabelo comprido e um estilo diferente. Desde um "Black Power" até as tranças Nagô. Algo que faz parte da cultura negra e da própria família. "Mas depois dos 18 anos tive que abrir mão disso por saber do preconceito no meio profissional. Ouvia quando ia procurar emprego: "Por que você usa o cabelo assim", "Se eu te contratar você cortaria o cabelo?"', contou. 

"Depois de muita luta e conversas com pessoas que me apoiaram, aceitei de vez e consegui vencer este bloqueio. Passei por muitas situações duras e que me machucavam. Não foi fácil, mas sempre lembro deste momento como uma vitória e superação que me fez e faz muito mais feliz e livre", completou. 

Aumento de variedade de produtos

Uma boa notícia é que o mercado se mostra atento a variedade de cabelos dos brasileiros. A pesquisa revela que 9 em cada 10 entrevistados afirmam que a variedade de produtos para cabelos cacheados e crespos atualmente existente no mercado é maior do que há 5 anos. Porém, a oferta poderia ser melhorada, pois 31% acreditam que não há produtos suficientes no mercado para esses tipos de cabelos. A classe AB se mostra mais exigente, pois entre ela, esse número salta para 46%.

Entre os entrevistados, que consideram que não há uma grande quantidade de produtos no mercado, os finalizadores despontam - 60% deles gostaria de ver mais desse tipo de item, que ajuda na definição e volume dos fios. Em segundo, aparecem as máscaras capilares, com 47% desejando que a sua oferta fosse maior. 

Em relação aos estilos, a pesquisa detectou uma inclinação mais tradicional. Os homens, por exemplo, preferem o cabelo curto, mencionado por 61% deles. Bem mais atrás, veio o estilo raspado, com 14% das menções. Já entre as mulheres, o estilo predileto é o longo, dito por 46% delas. 

 


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