"Homem Onça"

"Homem Onça"

Longa-metragem tenta fazer uma análise do processo de privatizaç ões no final dos anos 1990

Chico Izidro

Chico Diaz está muito à vontade na pele de seu personagem atormentado

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"Homem Onça", dirigido por Vinicius Reis, está cheio de boas intenções, porém com sua estrutura um pouco confusa - tentativa de fazer uma obra diferente -, acaba se perdendo por propor duas linhas de tempo. A trama traz como personagem principal o funcionário de uma estatal imaginária, a Gás do Brasil, e se passa no final dos anos 1990. Pedro (Chico Díaz) é o chefe do setor de planejamento e pesquisa da estatal, que está para ser privatizada, e casado com sua mulher Sônia, interpretada por Silvia Buarque. 

E ele e sua equipe ganham um prêmio internacional devido a um projeto de sustentabilidade, mas é, então, pressionado a demitir sua equipe e antecipar a sua aposentadoria, contra a vontade. E Pedro acaba sofrendo estresse, vendo o corpo reagir e desenvolver vitiligo. 

Mas ao mesmo tempo, a história mostra um outro Pedro, que vive com outra família em uma pequena cidade do interior carioca, em um futuro não longínquo, com uma outra companheira, Lola (Bianca Byington). E o personagem tem visões com uma onça pintada que habitava a floresta ao redor de Barbosa, no tempo da sua infância. Coisas sem pé nem cabeça. O que salva o filme é a ótima atuação de Chico Diaz, muito à vontade na pele de seu personagem atormentado. 

 

"Homem Onça" tenta fazer uma análise do processo de privatização de estatais, no final dos anos de 1990, que ressoou na vida dos empregados daquelas empresas. A perda da estabilidade e segurança emocional e econômica de Pedro é um reflexo da situação do Brasil. Assim, ao falar do passado, é um filme que também medita sobre o presente do país, sempre ameaçado de passar por uma nova onda de privatizações.

O diretor Vinicius Reis usou uma experiência pessoal como inspiração para o roteiro do longa: meu pai era gerente numa das maiores mineradoras do mundo, a Vale do Rio Doce. E em 1996, a empresa passou por uma reestruturação radical, que culminaria na sua privatização no ano seguinte. Depois de duas décadas trabalhando para essa companhia, meu pai não podia ser demitido e foi forçado a se aposentar. Antes disso, foi obrigado a demitir sua equipe... tudo isso teve o efeito de um tsunami em sua vida”, contou. 

 


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