O fim da autobahn

O fim da autobahn

Candidata à chefia do governo alemão quer reduzir velocidade nas rodovias

Renato Rossi

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Hipótese: um rico alemão de meia idade compra um Porsche 911 Carrera S. A máquina poderosa que nos finais de semana se diverte na autobahn a 330 km por hora. A obsessiva subcultura da alta velocidade na Alemanha gera trilhões de euros para a indústria automotiva, que produz os carros mais velozes do mundo. Os envolve numa mística de invencibilidade que choca-se com a realidade trágica dos milhares de deficientes físicos que circulam por lugares públicos. São os herdeiros desta “mitologia veloz” que aliena, porque sempre há um risco grave na alta velocidade. 

Embora haja tecnologia avançada empregada nas autobahns, que tenta proteger a vida, esta se fragiliza a 200 por hora. Agora, o rico liga o motor e ouve o ronco forte e sedutor do 911. O ego chega antes aos 300 km/h. Quem dirige nas autobahns sabe que ali não é lugar para relaxar. É ambiente tenso, desafiador e vigiado por equipes de policiais, socorristas, helicópteros, que amparam a crença da alta velocidade segura. Que não existe. 

Ao ouvir a candidata à chefia do governo da Alemanha nas eleições de setembro, a advogada e ativista do Partido Verde Annalena Baerbock, com aparência jovial dos seus 40 anos de idade, é provável que o dono do Porsche queira trocá-lo por um Up!. Ou quem sabe pela bicicleta, e usar a grande rede cicloviária alemã. Afinal, Annalena, que avança sem parar nas pesquisas de opinião e está a menos de 20 pontos atrás dos conservadores, já afirmou que uma de suas primeiras medidas como chanceler será reduzir a velocidade nas autobahns a 130 por hora. Ela não é uma radical, mas uma política hábil e flexível e fiel às “leis dos verdes”, que combatem a poluição há décadas.

 


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