Motivado pela falta de produção da “Gaita de Oito Baixos” no Brasil, instrumento símbolo da cultura gaúcha, e pela conquista do único disco de ouro em álbum instrumental no país, Renato Borghetti criou, em 2010, o projeto social “Fábrica de Gaiteiros”. E, hoje, atendendo cerca de 660 alunos, a proposta funciona como porta de entrada para crianças e jovens aprenderem o acordeon diatônico.
O programa educativo-cultural que, desde então, segue animando muitas querências, só deslancha e cresce. O trabalho oportuniza aprendizagem gratuita do manejo do instrumento a crianças e adolescentes de 7 a 15 anos. E a única condição é estar com matrícula escolar em dia no ensino público ou privado.
Incentivar a educação e a inclusão do público infantojuvenil, direta e indiretamente, é um dos objetivos da ação, que mobiliza aprendizes e públicos variados em apresentações feitas pelos grupos de aprendizes nos mais diversos rincões. Conforme Renato, o aprendizado da gaita de oito baixos nas turmas melhora a relação dos estudantes com círculos familiares próximos, amigos e colegas, também repercutindo em avanços no rendimento escolar dos participantes em sala de aula.
No projeto, os alunos participantes podem, inclusive, levar as gaitas para praticar nas próprias casas, ampliando oportunidades educativas e permitindo conhecimento e acesso, especialmente para a população com dificuldade em adquirir o instrumento.
Com sede em Barra do Ribeiro, a atividade social tem 25 escolas funcionando no Rio Grande do Sul e em Santa CatarinaRogério Amaral / Fábrica de Gaiteiros / CP
Sede e apresentações
Com uma fábrica em Barra do Ribeiro (RS), que produz todas as peças que compõem os instrumentos musicais que são construídos para uso dos alunos, e 25 escolas em funcionamento no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o projeto prevê novidade para breve. Porto Alegre, que já conta com duas unidades da Fábrica, receberá uma sede. Assim, o programa contará com duas: a sede da Barra e a da Capital. A casa já foi adquirida. É no bairro Bom Fim e está em reformas. O músico acredita que, até 2026, o espaço estará pronto para promover atividades culturais.
Durante todo este mês em especial, com o Dia do Gaúcho – 20 de setembro – e com a Semana Farroupilha, o projeto está com agenda cheia e atividades mais intensas. Juntando todas as escolas, as unidades acumulam pelo menos 25 apresentações, distribuídas em várias localidades nos dois estados em que atua.
A atual sede, na rua Júlio de Castilhos, 1120, funciona no centro do município de Barra do Ribeiro. Possui fábrica, auditório, exposição, salas de aula e biblioteca e também recebe visitas, de quarta-feira a domingo, com horários diferentes em finais de semana e feriados. Já as apresentações que ocorrem durante o ano são combinadas diretamente com as unidades do projeto.
Mais informações no site.
Projeto
- O Fábrica de Gaiteiros é iniciativa que oportuniza a crianças e jovens, entre 7 e 15 anos de idade, que aprendam a tocar o instrumento.
- Atualmente, essa proposta educativo-cultural ocorre em 19 municípios gaúchos e em 6 cidades catarinenses.
- O acordeon diatônico, que ficou popularmente conhecido na região sul do Brasil como “Gaita de Oito Baixos”, é um instrumento símbolo da cultura gaúcha (Lei Estadual 13.513, de 8/9/2010).
- Os alunos do projeto são solicitados para se apresentarem em muitos eventos culturais, principalmente em escolas, para divulgar a arte e homenagear a cultura gaúcha.
- A confecção dos instrumentos é realizada com o uso de madeira certificada de eucalipto, proveniente de plantios renováveis. E os botões são feitos utilizando resíduos de casca do arroz e aproveitando garrafa pet.
- O processo de fabricação do instrumento musical atende a todos os requisitos de preservação do meio ambiente e adota a utilização de energia limpa (solar).
*Sob orientação de Maria José Vasconcelos