Economia

Endividamento das famílias bate novo recorde na pandemia, diz Banco Central

Cálculo do BC leva em conta o total das dívidas bancárias dividido pela renda das famílias no período de 12 meses

Em função da pandemia, muitas famílias brasileiras têm tido dificuldades para fechar as contas
Em função da pandemia, muitas famílias brasileiras têm tido dificuldades para fechar as contas Foto : Marcos Santos / USP Imagens / CP

A crise econômica trazida pela pandemia de Covid-19 fez o endividamento das famílias bater novo recorde no Brasil. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que, em março, o endividamento das famílias com o sistema financeiro chegou aos 58%. Esse é o maior porcentual da série histórica, iniciada em janeiro de 2005.

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas bancárias dividido pela renda das famílias no período de 12 meses. Como incorpora dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE, o porcentual apresenta certa defasagem. Por isso, o resultado divulgado agora é o de março.

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias - que geralmente abarcam um montante considerável da renda das famílias -, ainda assim o endividamento ficou em níveis elevados, de 35,7% em março. O porcentual também é recorde para a série histórica.

Em função da pandemia, muitas famílias brasileiras têm tido dificuldades para fechar as contas. Uma consequência disso é a procura maior por crédito, com consequente aumento do endividamento. Para se ter uma ideia, em março do ano passado - no início da pandemia -, o endividamento total das famílias estava em 49,4%, um índice 8,6 pontos porcentuais menor do que o visto em março deste ano.

Os números mostram um aumento gradativo do endividamento durante o ano de 2020 e também no primeiro trimestre de 2021, em meio à demanda das famílias por crédito.

Os dados do BC mostram ainda que o comprometimento da renda mensal com essas dívidas ficou em 30,5% em março, acima dos 30,0% de março do ano passado. Se o financiamento imobiliário for excluído da conta, o comprometimento da renda ficou em 27,9% em março, ante 27,7% em março do ano passado.

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que o comprometimento da renda das famílias com dívidas bancárias pouco tem variado durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, isso está ligado às condições dos novos financiamentos.

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