Previsão de ciclone antecipa arrancada da Operação Inverno em Porto Alegre

Previsão de ciclone antecipa arrancada da Operação Inverno em Porto Alegre

Começo da ação estava marcado para 4 de junho

Taís Teixeira

Camas foram montadas no Ginásio Tesourinha para abrigar moradores de rua na Operação Inverno

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A estimativa da chegada do ciclone subtropical ao RS antecipou para terça-feira algumas ações da Operação Inverno, coordenada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), que começaria oficialmente em 4 de junho. No ginásio Tesourinha, no bairro Menino Deus, foram montadas 40 camas, podendo chegar a 90, para abrigar homens e mulheres sem filhos, mas com pets na noite de terça-feira para quarta-feira. Na terça, equipes de abordagem trabalharam até mais tarde para encaminhar pessoas em situação de rua para albergues, abrigos e pousadas.

O secretário da SMDS, Léo Voigt, esclareceu que são levados para outros espaços específicos antes de serem conduzidos ao ginásio Tesourinha. “Os primeiros foram levados para os albergues e depois para as pousadas, que são mais quentes e oferecem refeição”, explicou. Porto Alegre tem quatro albergues e mais de 550 vagas em pousadas, sendo que “mais 140 estão sendo contratadas para 4 de junho”, adiantou Voigt. Além disso, seis casinhas para abrigar os animais foram instaladas no Ginásio. Algumas têm capacidade de acolher mais de um cachorro. 

A presidente da Fasc, Cátia Lara Martins, ressaltou que essa ação é focada nas pessoas em situação de rua que desejam ajuda. "Estamos com duas equipes desde segunda-feira falando com as pessoas para aceitarem passar a noite longe das ruas. Muitas não conhecem nosso trabalho, não querem vir e outras procuram de forma voluntárias”, contou, reiterando que ainda ontem os colaboradores foram tentar sensibilizar mais desabrigados. “Caso não desejem vir, deixaremos cobertores e lonas”, elucidou.   

Tomando um chá quente para se esquentar enquanto aguardava o transporte para um abrigo, a moradora de rua Márcia Cristiane Fagundes, 33 anos, está nessa condição há 18 anos. Ela contou que quando a mãe perdeu o apartamento, ela foi para um abrigo e depois para as ruas, de onde não saiu mais. Usuária dos albergues, ela acha uma boa alternativa para tomar um banho quente e comer. “É bom ,mas bom mesmo seria se eu tivesse onde morar”, disse Márcia,que vive com um companheiro e não tem filhos.

Na quarta-feira de manhã, Fasc, Prefeitura e Defesa Civil devem se reunir para decidir se ampliam  a atividade para mais um dia. No ano passado, 500 pessoas foram atendidas em dez dias de ação. Crianças serão encaminhadas para casas lares. Hoje, a prefeitura tem capacidade para receber em torno de 1.800 desabrigados


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