Porto Alegre supera marca dos cinco mil mortos por Covid-19

Porto Alegre supera marca dos cinco mil mortos por Covid-19

Número de infectados pelo coronavírus já ultrapassou os 155 mil na Capital gaúcha

Gabriel Guedes

Mais de cinco mil pessoas já morreram por Covid-19 em Porto Alegre desde o início da pandemia

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Em 24 de março de 2020, Porto Alegre teve a sua primeira morte por Covid-19. A vítima era mulher de 91 anos e estava internada no Hospital Moinhos de Vento. Mas 454 dias depois, a Capital passou a contar mais cinco mil vidas perdidas por esta doença. É como se o município de Brochier, no Vale do Caí, ou de Erval Grande, no Norte do Rio Grande do Sul, simplesmente desaparecesse. 

Quando a primeira pessoa morreu na pandemia na Capital, a cidade tinha pouco mais de 100 casos. Mas nesta segunda-feira, além da enorme quantidade de infectados, que já bateu nos 155 mil, mudou também o perfil das vítimas, agora mais jovens, devido ao avanço da vacinação sobre os mais idosos. O que não mudou foi o nível de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que ainda segue num patamar muito alto, acima dos 80%, e portanto, muito suscetível a qualquer aumento súbito de internações.

Até o início da noite desta segunda, Porto Alegre soma 5.004 mortes, o que dá 11 mortes por dia, em média. Mas não se engane. Durante a pandemia, houve dias em que a situação foi dramática, como em 16 de março, quando 65 vidas foram perdidas em um intervalo de 24 horas. A terceira onda de contágios, que coincidiu com os dias de maior mortalidade, também foi um divisor de águas. 

Faixa etária

Na comparação deste começo de junho com o mês de janeiro, o percentual de vítimas com idades entre 70 e 79 anos vem dando sinais de redução, com uma queda de 0,27%. No mesmo período, ainda se manteve um crescimento de 1,47% na faixa etária dos 60 aos 69 anos, mas disparou nos adultos com idades dos 50 aos 59 anos, com uma alta de 2,86% na participação dos óbitos. Justamente a faixa etária que ainda não está plenamente imunizada, principalmente os homens, que com 52%, são as maiores vítimas desta pandemia.

"O número é alto e impressiona”, pontua o chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Alessandro Pasqualotto. “É lamentável termos essa quantidade de mortes. Lamento por todos que perderam seus entes queridos. Mesmo com esse processo de vacinação, com 53% na primeira fase, a pandemia continua com dados ainda impactantes”, afirmou o secretário de Saúde da Capital, Mauro Sparta.

"Mundo poderia ter feito a diferença"

O infectologista acredita que não apenas Porto Alegre, mas o mundo todo poderia ter feito diferente para evitar um número tão expressivo de vidas perdidas. “Mas o que porto Alegre tinha que ter feito, é ter reconhecido mais cedo a relevância da doença e ter tomado as medidas que realmente previnem a transmissão do vírus, como o distanciamento social, o uso de máscaras e a testagem. Fazendo buscas e testes por suspeitos com a doença. Nós teríamos contido mais as pessoas que estariam espalhando a doença”, avaliou. 

Os números sobre a situação da pandemia na Capital têm figurado com diferenças entre o que a Prefeitura e o Governo do Estado divulgam. Hoje, o Município informou 155.948 casos acumulados, mais que os 133.727 reportados pelo Piratini. Em relação aos óbitos, o quadro é oposto, com a Prefeitura contabilizando 4.993 mortes e o Estado, 5.004. “Os hospitais, quando fazem a notificação do óbito, fazem primeiro para a Secretaria Estadual de Saúde e depois para a gente. E nos casos, é porque o Município é notificado antes”, explicou o secretário, que já começa a ver uma luz no fim do túnel, ao observar apenas um terço dos leitos de UTI ocupados por doentes da Covid-19. 

“A pandemia não acabou”

Entretanto, a situação ainda é grave e requer cautela. “A pandemia não acabou. As pessoas devem se vacinar com a dose que tiver disponível e continuar se protegendo e protegendo os demais até que toda população seja vacinada. Atenção aos ambientes internos. Hoje vivo uma fase muito otimista e até o final do ano, vamos superar. Mas até lá muita gente ainda vai sucumbir”, alerta Pasqualotto. “Os protocolos precisam ser seguidos e são fundamentais para seguirmos adiante”, conclui Sparta. 

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