Diretor do Instituto Butantan alerta para possível falta de Coronavac a partir de 14 de maio

Diretor do Instituto Butantan alerta para possível falta de Coronavac a partir de 14 de maio

Dimas Covas afirmou que entidade está perto de esgotar matéria-prima para fabricação da vacina

Correio do Povo e R7

Com a diminuição do IFA, o instituto Butantan terá que reduzir a produção da Coronavac

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O Instituto Butantan e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) alertaram nesta quinta-feira que as declarações do governo federal contra a China estão impactando no ritmo de liberação de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e na produção da Coronavac. O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, Dimas Covas, ressaltou que a partir de 14 de maio há a possibilidade de falta da vacina. 

"Nós temos que entregar o restante (das vacinas) até o dia 14 de maio, que vai totalizar 5 milhões de doses, feitas com 3 mil litros do IFA. Após isso, não temos mais matéria-prima para processar. Pode faltar? Pode faltar", disse Covas, que também é diretor do Instituto Butantan. 

Covas ainda ressaltou que agora há mais dificuldades para se conseguir a liberação do IFA. "Existe dificuldade. A burocracia está mais lenta do que o habitual e as autorizações muito reduzidas em volume. A previsão era dia 10, passou para o dia 13 a entrega. E, inicialmente, a quantidade de IFA era de 6 mil a 8 mil litros e agora já se fala em 2 mil litros", destacou. 

Mudanças na autorização 

De acordo com Dimas Covas, as mudanças não são de produção, mas sim de autorização diante das recentes falas do governo. "É uma consequência da falta de alinhamento com o governo federal, que tem remado contra a maré, e ficamos à mercê. A China fez o que o Brasil não fez: controlou o vírus e tem a epidemia sob controle", diz.

Doria ressaltou que as declarações atrasam a produção da vacina produzida pelo Butantan. "É lamentável depois de o ministro da Economia Paulo Guedes falar mal da vacina, da China e fazer críticas ao governo chinês, ontem o presidente Bolsonaro seguiu a mesma linha. É inacreditável que, numa circunstância em que temos de salvar vidas e termos mais vacinas, tenhamos alguém criticando o grande fornecedor de insumos. Já se criou um profundo mal-estar com essas declarações agressivas e absolutamente desnecessárias", afirma Doria.

Vírus criado pela China 

Em discurso, o presidente Bolsonaro deu a entender que o novo coronavírus foi criado pela China em uma possível guerra biológica. No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já contestou essa versão e apresentou parecer feito na cidade de Wuhan.

Para Doria, cabe ao chanceler brasileiro procurar uma retratação com as autoridades chinesas: "Foram sucessivas declarações desastrosas e o ministro das Relações Exteriores silencia?", questionou. 

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