CNA projeta redução de 0,94% no PIB do Agro em 2023

CNA projeta redução de 0,94% no PIB do Agro em 2023

Entidade atribui resultado à redução nas margens de lucro, aos preços das commodities e à alta dos insumos

Correio do Povo

Bruno Lucchi, à esquerda, destacou redução nas margens brutas no campo em 2023

publicidade

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta que o PIB do Agronegócio deva recuar 0,94% neste ano em relação a 2022.  Para o Valor Bruto da Produção (VBP), a confederação projeta R$ 1,24 trilhão, valor 2,2% menor que o obtido no ano passado. A estimativa foi divulgada nesta quarta-feira, durante apresentação do balanço anual da entidade.

Os resultados, conforme o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, devem-se às margens de lucro menores, aos preços das commodities em baixa e aos custos elevados, mesmo com a produção recorde de 322,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2022/2023. “Se tivermos que fazer resumo da produção agropecuária em 2023, podemos usar a velha máxima da safra cheia e bolso vazio”, disse Lucchi.

Somente a margem bruta da soja, por exemplo, teve redução de 68% em 2023 ante 2022, segundo dados do Projeto Campo Futuro (Sistema CNA e Cepea/Esalq/USP). O diretor mostrou também que a variação da margem bruta na pecuária de corte foi de -48,7% no ciclo completo e de -67,4% no setor leiteiro, sendo parte do déficit do leite atribuído a importações do Mercosul, que desestimularam a produção e impediram a recuperação de preços no mercado nacional.  “O problema é crônico no Brasil, não só a importação, que estamos criticando porque é subsidiada. Mais do que isso, precisamos aumentar a produtividade brasileira”, afirmou o presidente da CNA, João Martins. 

Segundo Lucchi,It o problema das margens menores dos produtores rurais se agravou com problemas como a insegurança jurídica gerada por invasões de terras, que chegaram a 71 até novembro. “Esse número é muito maior do que as 62 que tivemos nos últimos quatro anos”, comparou Lucchi. “Isso tirou o sossego de muitos produtores, que, na questão de investimento, colocaram pé no freio.” Também pesa a discussão do marco temporal sobre terras indígenas. O setor espera que vetos do governo federal sejam derrubados no Congresso.

O setor rural tem preocupação também com a repetição do fenômeno La Ninã em 2024, depois de três anos consecutivos. “Mais do que nunca precisamos de recursos para o Prêmio do Seguro Rural (PSR), que seja uma política de Estado que transcenda governos”, afirmou. A demanda para 2024 é de R$ 3 bilhões, mas o orçamento está estipulado em R$ 1,06 bilhão, mesmo valor deste ano, quando o governo federal ainda cortou R$ 130 milhões. Em 2023, a área coberta com PSR foi de 6,25 milhões de hectares, menos da metade da atendida em 2021, com 13,7 milhões de hectares.


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895